Quem é
Gilda Nomacce?
Por Louise Belmonte
Gilda foi para o Rio de Janeiro com 16 anos porque “queria ser famosa”, como a nossa cabeça de 16 anos confunde, não é?
“Aos 21, entendi que o que eu queria era ser atriz mesmo. Ter o conhecimento do verdadeiro ator, e aí eu fui pra outro lugar”, ela me disse, após meia hora de conversa.
E foi. De lá pra cá, Gilda se tornou uma das figuras máximas entre o cinema de curta-metragem, talvez o mais experimental e conceitual dos formatos.
Trabalhou com cineastas como Laís Bodansky, Chico Teixeira, Marco Dutra, Juliana Rojas, Gabriel Abrantes e Hector Babenco, entre curtas e longas. Fez performances, séries fotográficas e claro, teatro – dirigida por Antunes Filho, Donizeti Mazonas, Ruy Cortez e Caetano Gotardo, entre outros.
Foi inclusive, uma fundadoras da Companhia da Mentira, que já existe há 14 anos.
Sua caminhada foi tão focada no artístico, no caráter criador do ator, que apenas no último ano foi fazer parte do elenco de séries televisivas (como Garota da Moto, Unidade Básica, Zé do Caixão e Gigantes do Brasil).
“Quando a sensação da fala vem antes da fala, quando você entende a diferença de sentir e expressar, que pro ator o expressar é até mais importante que o sentir, quando se aprende que o choro é muito mais que sair água do olho, que se fosse assim era melhor colocar colírio mesmo, tá vendo? - ela me dizia, enquanto seu rosto assumia facetas de tristeza, sua boca se curvava, as sobrancelhas seguiam o movimento, e sua voz cambaleava -, desse jeito, a lágrima é consequência. Quando se aprende a técnica e entende que ela auxilia a emoção”.
Ela me explicava que o olhar do ator deve ser um olhar com mil fatias, e que a maior confusão possível é tentar escolher uma delas pra se destacar, porque na vida não se escolhe. “Os sentimentos são arenosos, o olhar é como fumaça, e a expressão passa através de mil sentimentos sobrepostos”.
Durante nossa conversa, eu pensava que sua coragem é coragem que inspira o ator e o cineasta, porque pra fazer arte hoje em dia, precisamos de tanta coragem. Pensava que horas com Gilda são horas de bravura intensa.


